segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A decantação do colapso

A vida se esvai por entre meus dedos
O amor se quebra no copo derramado
juntar os cacos me dói um bocado
o vidro corta a carne; a alma, seus medos.

Na complexidade de seu mundo e da mente
você insiste em ver como Maniqueu
conta zero e um no que está a sua frente
esquece-se hoje daquilo de que se valeu

Tua rapidez desafia minha visão
admirado me entrego à ilusão
como o mágico que diverte a plateia
alucinadamente, fico na inércia

Tudo é tão complexo e tão simplório
hesito em me fazer presente
diante do líquido, fico na decantação
pro mundo em colapso, o limite é o chão.

Ícaro sobe ao céu e cai no mesmo segundo
A imprudência lhe custou a vida de asas
Ai de mim, ó Pai, podia ter-lhe dito:
É pelo fogo que se veem ouro e prata.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Terror

Em sua presença, o amor se cala
sentimento nobre, mas de que me adianta a fala
silêncio às vezes é melhor remédio
em um segundo estou a contemplá-la.

Sopro de Afrodite, do vento muda o rumo
Faz correnteza em pequena vala
O nimbo surge pelos vitrais do prédio
A tempestade se encaminha, eu sumo.

No carro sujo de velho nanquim
o terror parece sentado à minha sala
confortavelmente irônico, sorri pra mim
fera faminta no banco do Opala.

Com presas afiadas, em local sem fim
sorte lançada aos riscos da mandala
a luta é contra o ócio e o tédio
Adeus!, o caixeiro põe no trem a mala.

Que o terror não esteja na próxima parada
a espreitar como doce donzela
no fim de tudo, não valerá a pena
presse defunto nem se consome a vela.








Tudo que começa...

...se desenrola até nunca mais ter fim. Depois de teu primeiro sopro de vida, o mundo nunca mais foi o mesmo.

Este blog é passageiro. O Dylan de Lajeado é passageiro. A vida é passageira. O ser humano assim o é.

Mas as palavras permanecem eternas.

Tem minha eternidade, se o quiseres.
hello, freud!