segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A decantação do colapso

A vida se esvai por entre meus dedos
O amor se quebra no copo derramado
juntar os cacos me dói um bocado
o vidro corta a carne; a alma, seus medos.

Na complexidade de seu mundo e da mente
você insiste em ver como Maniqueu
conta zero e um no que está a sua frente
esquece-se hoje daquilo de que se valeu

Tua rapidez desafia minha visão
admirado me entrego à ilusão
como o mágico que diverte a plateia
alucinadamente, fico na inércia

Tudo é tão complexo e tão simplório
hesito em me fazer presente
diante do líquido, fico na decantação
pro mundo em colapso, o limite é o chão.

Ícaro sobe ao céu e cai no mesmo segundo
A imprudência lhe custou a vida de asas
Ai de mim, ó Pai, podia ter-lhe dito:
É pelo fogo que se veem ouro e prata.

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